
"Nossa, nossa assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai,ai se eu te pego
Delícia, delícia assim você mata painho
Ai se eu te pego
Ai ai se eu te pego"
"Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xóte, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração."
"Ela subia na cadeira
com uma saia bem curtinha
requebrando requebrando
balançando a bundinha
E eu só só olhando"
"Traga-me um copo d'água, tenho sede
E essa sede pode me matar
Minha garganta pede um pouco d'água
E os meus olhos pedem o teu olhar"
"Eu sou assim mesmo, sou assim mesmo
Se a mulher começa a soltar o veneno
Isso me irrita, isso me irrita
Vazo pra gandaia e tô de novo na fita
Hoje eu durmo lá pra cima
Na casa das primas, na casa das primas
Wiskhy do bom e mulher bonita
Na casa das primas, na casa das primas
Uma do lado e a outra pro riba
Na casa das primas, na casa das primas
Se casar não é minha sina
Eu vou morar na casa das primas!"
"Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo de mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dar prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não dá prá ser feliz, assim
Tem dó de mim
O que eu posso fazer."
"Olha cachaça
Cachaça, cachaça eu te amo
Cachaça, cachaça, cachaça eu te adoro
Cachaça, cachaça você é meu vicio
Preciso te dizer que sem te eu não vivo."
"Que bom poder estar contigo de novo
Roçando teu corpo e beijando você
Pra mim tu és a estrela mais linda
Teus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter.
É duro ficar sem você vez em quando,
Parece que falta um pedaço de mim.
Me alegro na hora de regressar,
Parece que vou mergulhar na felicidade sem fim."
Talvez, diante desse intróito, não precisasse mais nem argumentar, apenas pedir para que o leitor, mesmo o mais mediano, faça uma pequena comparação. Mas, já que me dispus a opinar, vamos lá. Recentemente, o Secretário de Cultura do nosso Estado, também músico, Chico César, gerou polêmica ao afirmar que não haveria verba estatal destinada a custear o pagamento de bandas que tocam o chamado "forró de plástico", nas tradicionais festas juninas espalhadas pelo nosso Estado. Tal vedação se estenderia aos cantores sertanejos. O humorista Cristóvão Tadeu repercutiu a discussão em seu microblog Twitter, afirmando que se formos nos pautar pelo gosto da maioria, só vai sair "merda".
Fatalmente e apesar das duras palavras, o humorista paraibano está correto. É triste ver que a maioria da aculturada população brasileira tem seu gosto voltado às mais variadas aberrações musicais. Ora, mas em uma população com baixo índice de escolaridade e pouco senso crítico, a falta de gosto cultural seria uma simples conseqüência do grau de instrução dos nossos pares. Infelizmente, esta premissa não corresponde totalmente aos fatos. O que vemos é que inúmeras pessoas com aparente capacidade crítica, de boa índole e boa criação estão abraçadas à massa acéfala indo "amar a cachaça" e seu propagador-mor, o "Safadão", em shows que dão inveja aos seguidores de Baco/Dionísio, na Antiga Roma. Esses sim são os que me causam preocupação e uma profunda tristeza no meu ser, impotente por nada poder fazer para resgatá-los dessa avassaladora destruição de uma mentalidade que, por grande sorte, teve uma criação privilegiada, voltada aos bons valores, a qual deveria rejeitar toda essa depravação cultural. Não sei o que os levou a isso; talvez seja por falta de uma personalidade forte, por um determinismo de meio, a saber, a mistura com essa juventude hedonista e inconseqüente, outra droga da sociedade contemporânea, ou melhor, a origem de todas as drogas. Me dói muito ver que este fenômeno parece inexorável, mas não desisto. Sempre prefiro pecar pela ação que pela omissão. Espero que o futuro reconheça: meu papel de "chato" não foi em vão e que, regressas da hipnose com esse fenômeno perverso de destruição da boa música, essas pessoas possam voltar para a realidade. Anseio que com o advento da maturidade, mesmo tardia, os hoje fascinados pela "maré do gosto ruim", possam criar e educar seus filhos com um senso crítico e um bom gosto capaz de fomentar a necessária mudança na mentalidade geral, a fim de que passemos todos a ignorar os lixos culturais e enaltecer as genuínas e brilhantes manifestações de nossa cultura, seja ela popular ou erudita.